projeto Artesanato Alagoano começou em 2005, com apoio do Sebrae. Rosemeire, Maria Cícera e outras 45 artesãs formam a Associação das Bordadeiras de Penedo.

“É um projeto que visa o desenvolvimento das associações que trabalham com o verdadeiro artesanato, de raiz, de Alagoas. Nós trabalhamos com 22 associações, visando o desenvolvimento de gestão, empreendedorismo, associativismo, design, acesso a mercado”, explica Vanessa Fagá Rocha, do Sebrae-AL.

A cidade histórica fica a 160 quilômetros de Maceió. Em Penedo, o grupo começou a trabalhar com gesso. As construções antigas da cidade se transformaram em fachadas decorativas. As peças são réplicas idênticas dos prédios históricos. Uma delas é da Igreja Nossa Senhora das Correntes, erguida no começo do século 18.

“A gente coloca todos os detalhes para poder ficar igualzinho à casa original”, diz a artesã Ana Cristina.

Em pouco tempo, o resgate histórico passou do gesso para o bordado e as casas antigas foram bordadas em blusas, vestidos e saias.

Em um trabalho voluntário, Francisca Lobo ensinou os pontos dos bordados para as artesãs. “O grupo surgiu de uma vontade que eu e minha mãe tivemos de ajudar pessoas que precisavam se desenvolver, trabalhar com alguma coisa”, conta Francisca.
Ela é hoje a presidente da entidade e teve a ajuda do Sebrae para fazer o grupo funcionar como uma empresa, inclusive com programas de gestão.

“É um kit que o Sebrae implanta nessas associações para ensiná-las a controlar suas finanças, a fazer a gestão do seu negócio: quanto comprou de matéria-prima, qual é o fornecedor, qual é a artesã que produziu aquela peça, quais são os custos para que a peça fique pronta, e principalmente fazer um preço correto de venda do artesanato”, esclarece Vanessa.


E o trabalho do grupo também busca inspiração no Rio São Francisco. Ele atravessa a cidade e faz divisa com Sergipe, o estado vizinho. E assim, a rotina dos pescadores é bordada nas roupas.

“Isso vai diferenciar. As pessoas, quando olharem para esse artesanato, vão identificar que de fato ele é daqui”, acrescenta Vanessa, do Sebrae.

As festas de São João, muito populares no Nordeste, também são lembradas em muitos modelos. “Penedo é uma cidade muito rica em cultura, tem um folclore muito rico.

Então, a gente borda isso que é o folclore da região, que é o cotidiano de Penedo, as brincadeiras de criança, o que acontece numa cidade do interior do Nordeste”, conta a presidente da associação.

Com o projeto, o grupo participa de feiras em todo o Brasil. O Sebrae paga o transporte e as artesãs conseguem mostrar seus trabalhos em novos mercados. No último evento, em São Paulo, elas faturaram R$ 7,5 mil em apenas quatro dias e voltaram com uma encomenda de mais R$ 3 mil.

O grupo se orgulha de produzir um artesanato único, cheio de cores. O bordado parece ter movimento. “A gente faz uma ciranda numa saia. A impressão que dá é que as meninas estão realmente brincando de ciranda na saia”, conta Francisca.

As peças também são vendidas em lojas de Maceió e Salvador. Cada artesão ganha, em média, R$200 por mês.

“O artesanato tem que ser visto como uma grande fonte de geração de emprego e renda. Muitas famílias no estado hoje dependem do trabalho que é feito por artesãos”, lembra Vanessa.

E os tempos difíceis de pobreza e sofrimento do passado ficaram para trás. A hora agora é de aproveitar o sucesso e de crescer. “Eu estou subindo de vida. Não estou subindo de vez, mas pra quem eu era, estou outra pessoa agora”, comemora a artesã Rosimeire da Silva.

“Eu não nasci para depender de ninguém. Eu nasci para ser independente”, orgulha-se a artesã Maria de Lourdes da Cruz.
Fonte: tv.pegn.globo.com

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